Berlim e Londres discutem envio de tropas para a Gronelândia

Um grupo de países europeus liderado pelo Reino Unido e pela Alemanha está a discutir planos para reforçar a presença militar na Gronelândia.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Toby Melville - Pool via AFP

Segundo noticia a Bloomberg News este domingo, a Alemanha vai propor a criação de uma missão conjunta da NATO para proteger a região do Ártico.

O objetivo é mostrar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o continente leva a sério a segurança no Ártico.

Trump tem reiterado a sua intenção de adquirir a Gronelândia e na sexta-feira avisou que o ia fazer “a bem ou a mal”.

O presidente norte-americano alega que os EUA precisam de controlar a Gronelândia para impedir que a Rússia ou a China a ocupem no futuro. Trump tem alegado repetidamente que navios russos e chineses estão a operar nas proximidades da Gronelândia, algo que os países nórdicos têm rejeitado.

Apesar disso, no sábado, o jornal The Telegraph noticiou que os chefes militares do Reino Unido e de outros países europeus estavam a elaborar planos para uma possível missão da NATO na Gronelândia para proteger o território das ameaças da China e da Rússia, numa tentativa de acalmar as preocupações de Trump.

Questionada pela Sky News se o Reino Unido estava a discutir o envio de tropas para a ilha, a ministra britânica dos Transportes, Heidi Alexander, disse que as conversações sobre como travar o presidente russo, Vladimir Putin, no Ártico estavam a "decorrer normalmente".

"Está a tornar-se uma região geopolítica cada vez mais disputada, com a Rússia e a China. Seria de esperar que estivéssemos a falar com todos os nossos aliados na NATO sobre o que podemos fazer para travar a agressão russa no Círculo Polar Ártico", disse Alexander. Segundo o Telegraph, as nações europeias esperavam que uma maior presença militar da NATO no Ártico convencesse Trump a abandonar os seus planos de anexar a Gronelânda.

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, disse este domingo que os EUA deviam discutir as preocupações de segurança no Atlântico Norte no âmbito da NATO.

"Se o presidente norte-americano está atento a ameaças provenientes de navios ou submarinos russos ou chineses aqui na região, podemos, naturalmente, encontrar respostas em conjunto para isso", disse Wadephul durante uma escala na Islândia, a caminho de Washington.
"Estamos numa encruzilhada"
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que a Dinamarca está num “momento decisivo” e acusa os EUA de terem virado as costas à NATO.

Num debate entre líderes partidários num comício político este domingo, a primeira-ministra dinamarquesa afirmou que o seu país estava "numa encruzilhada".


“Estamos numa encruzilhada e este é um momento decisivo”, disse Frederiksen. “O que está em jogo é maior do que os olhos podem ver, porque se o que presenciarmos dos americanos for que eles estão realmente a virar as costas para a aliança ocidental, que estão a virar as costas para a nossa cooperação na NATO ao ameaçarem um aliado, algo que nunca vimos antes, então tudo vai parar”, alertou.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou que se vai reunir com os líderes da Dinamarca na próxima semana, mas garantiu que não recua em relação aos objetivos de Trump.

O Governo da Gronelândia anunciou que vai participar nesta reunião e espera que sirva para normalizar as relações com Washington.
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